11 abril, 2006

Carta de um pai

(oil on canvas (1996): The Crying Old Man - Vladmir Fomin)

Meu filho,
Não vi te tornares homem!
Não vi teus primeiros passos, tuas primeiras palavras, teus primeiros machucados...
Não pude auxiliar com teus deveres na escola, tampouco pude estender meu ombro quando a vida foi dura e amarga contigo.
Não pude expressar o meu amor e nem a vergonha de não ter tido coragem de assumir minhas responsabilidades.
Vergonha por não ter sido homem, ser humano, quando chegada a hora de me posicionar... simplesmente parti.
Vergonha de não ter sido pai para ti. E o arrependimento mostrou-se a mim todos os dias da minha existência, através de lágrimas e amargura.
Hoje, só o que peço, se é que algo me é permitido pedir, é o perdão.
Perdão! Por todas as vezes que faltei na tua vida, por todos os sentimentos que não pude demonstrar e também por aqueles que não tive.
E quando, finalmente, puderes me perdoar, serás também melhor pessoa, e melhor pai.

6 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Um carta singela e franca em seus dizeres.

hábeijos

claudio

Vânia Sousa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Vânia Sousa disse...

É, infelizmente mtas pessoas têm que passar por penosos sofrimentos que poderiam ser evitados se tivessem agido de maneira a assumir os seus atos...
Há os que só dão valor depois que perdem, porém aí, pode ser tarde demais!!!

Ela disse...

Quantos... percebemos com esta mesma dor, com este arrependimento ardido,
poir... tantos outros que não percebem as burradas e s e perdem no caminho e machucam tantas almas.

Beijo
Tudo de bem bom!

Carol disse...

Há relações tão bonitas de pais e filhos e outras tão difíceis como essa que você tão bem descreveu...
Alguns pais tem uma segunda chance sim. Mas o perdão não pode ser só da boca para fora, tem que vir do coração.
Beijos... Carol

Luisa disse...

Há tantos e tantos dramas destes! Pais que nunca se interessaram pelos próprios filhos e quando vem o arrependimento, às vezes, já é tarde.