31 maio, 2007

Boneca de Porcelana



Teu olhar é como morteiro
Seguem minhas mãos lascivas
Que encontram meu sexo
Em febril reconhecimento

Descobrem ritmo
De ardor desencontrado
Solitário gozo
Por mãos que se desacompanham
Do compasso

Meu riso é triste
de uma lágrima
surgida no agora
rósea na face de quem
se deliciou do amor
e o jogou fora

Sou boneca de porcelana
Sou incauta
tive peças quebradas
no céu da minha boca
Meu gemido
é preso na garganta
onde estrelas foram desenhadas
e, rasgadas,
dadas em holocausto
pra qu’eu pudesse
saborear o delicioso
prazer do insano

2 comentários:

Antônio Alves disse...

Uma boneca tão doce e tão ardil. Acho que a dualidade permeia o cerne do homem (e da mulher), não uma dualidade pré-socrática, mas o encontro que gera uma dialética.

Não consigo tirar a imagem de uma bela prostituta em seu poema.

Feliz dia em que te encontrei no blog de Larissa.

Um forte abraço
Antônio Alves

Márcio Bezerra disse...

profundo mesmo...