25 abril, 2007

Rosa-dos-ventos

soturna
morri mais de uma vez
entre os lábios
escarnecidos de sangue
colmatada por corvos em revoada
deixei-me levar
por entre serpentes e lírios do caminho
*
tua mão, era meu único leme
e teu odor, o porto onde sempre saberia regressar
*
dardejantes raios luminosos
resplandeciam do teu olhar
qualquer morte minha seria capaz de me cegar
mas tua contemplação ressuscitou-me do insano
*
profano delírio de altivez
salvaste-me outra vez
teu amor, a rosa-dos-ventos
nossas vidas, o mapa central
eu só sobrevivo por possuir uma bússola mágica
que busca em ti o norte, sempre que me vejo perdida
entre as serpentes e os lírios do caminho

Um comentário:

Alexandre disse...

A morte nos leva e nos trás de volta todos os dias de seus estranhos e às vezes belos caminhos. Entre esses dois mundos, realizamos nossas necessidades. Escrever é uma delas!
Belo poema!
Bjs!